segunda-feira, 8 de agosto de 2016

08 de Agosto.

"Tecem teias de aranha". 
Isaías 59.5

Contemple uma teia de aranha e veja ali a figura mais sugestiva do hipócrita religioso. A teia é feita com o propósito de apanhar uma presa: a aranha engorda comendo moscas. As pessoas tolas são facilmente enganadas pela confissão altissonante de embusteiros, e mesmo aqueles que são mais criteriosos nem sempre podem escapar. Filipe batizou Simão, o mágico, cuja declaração de fé maliciosa logo foi reprovada pela severa repreensão de Pedro. Costume, reputação, elogio, progresso e outras moscas menores são a pequena caça que os hipócritas apanham em suas redes. Uma teia de aranha é uma maravilha de habilidade. Observe a teia e admire os astuciosos ardis do predador. A religião de um enganador não é igualmente admirável? De que modo o enganador faz com que uma mentira descarada tenha aparência de verdade? Como consegue fazer sua bugiganga corresponder tão bem à finalidade do ouro? A teia sai das entranhas da própria aranha. A abelha extrai das flores a sua cera. A aranha não suga flores, e sim estica a sua teia em qualquer extensão. De modo semelhante, os hipócritas encontram sua consolação e esperança dentro de si mesmos; sua âncora é forjada em sua própria bigorna e seu cabo é torcido pelas suas próprias mãos. Lançam seus próprios alicerces e constroem os pilares de sua própria casa, recusando-se a serem devedores à soberana graça de Deus. Entretanto, uma teia de aranha é bastante frágil. É feita de forma curiosa, com esmero, mas não duradoura. Não pode medir forças com a vassoura de limpeza. O hipócrita não precisa de uma bateria de alta tensão para fazer em pedaços as suas esperanças; uma simples baforada de vento o fará. As teias de aranha dos hipócritas logo ruirão, quando a vassoura de destruição começar sua obra purificadora. Isto nos traz à mente mais uma consideração: essas teias não serão toleradas na casa do Senhor. Ele cuidará para que elas, juntamente com aqueles que as teceram, sejam destruídas para sempre. Ó minha alma, descansa em algo melhor do que uma teia de aranha. Permite que o Senhor Jesus seja o teu eterno lugar de refúgio.

C.H. Spurgeon

sábado, 6 de agosto de 2016

07 de Agosto.

"Os retos te amam". 
Cântico dos Cânticos 1:4.



Os crentes amam a Jesus com uma afeição mais profunda do que a que ousam tributar a qualquer outro ser. Eles prefeririam perder o pai e a mãe a separarem-se de Cristo. Eles seguram todas as consolações deste mundo com pouca firmeza; mas levam a Jesus trancado no coração deles. Os crentes negam voluntariamente a si mesmos por amor a Jesus; então, eles não poderão ser impelidos a negá-Lo. É somente o amor raso que o fogo da perseguição pode esgotar. O amor do crente verdadeiro é uma fonte mais profunda do que isto.
Os homens têm se esforçado para separar o crente do seu Senhor, mas suas tentativas têm se mostrado infrutíferas em todas as épocas. Nem coroas de honra, nem carrancas de ira têm desfeito este nó górdio. Este amor não é uma atração diária que o mundo é capaz de dissolver. Nem homens, nem demônios têm encontrado uma chave que abre esta fechadura.
A esperteza de Satanás nunca se mostrou tão ineficiente quanto em suas investidas para romper esta união de dois corações fundidos por Deus. Está escrito: “Os retos te amam”; e nada pode anular esta afirmação. No entanto, a intensidade do amor dos crentes não deve ser julgada pelo que aparenta, e sim por aquilo que o crente anela. Nosso lamento diário é não podermos amar o suficiente. Se tão-somente nosso coração fosse capaz de reter mais e alcançar mais do amor de Cristo. Como Samuel Rutherford, suspiramos e exclamamos: “Oh, se tivéssemos uma quantia de amor que fosse suficiente para rodear a terra, e cobrir o céu – sim, o céu dos céus e dez mil mundos– para que pudéssemos derramar tudo sobre o formoso Cristo”. É uma pena que o máximo que conseguimos amar seja como a medida de um palmo, e que nossa afeição seja apenas uma gota num balde, em comparação com o que Ele merece. Oh! se pudéssemos dar todo o amor de nosso coração, em grande medida, Àquele que é “totalmente desejável” (Cântico dos Cânticos 5.16).

C.H.Spurgeon.

06 de Agosto.

"Guarda, a que hora estamos da noite"?
Isaías 21.11

Que inimigos estão do lado de fora? Numerosos erros afluem, e outros novos surgem a cada hora. Contra quais heresias devemos nos guardar? Os pecados rastejam a partir de suas emboscadas, quando as trevas reinam. Tenho de subir à torre e vigiar em oração. Nosso Protetor celestial vê antecipadamente todos os ataques que estão prestes a serem lançados contra nós. Quando Satanás deseja o mal para nós, o Senhor Jesus suplica por nós, a fim de que a nossa fé não desfaleça, quando somos peneirados como o trigo (ver Lucas 22.31). Continue, Ó gracioso Guarda, a nos avisar sobre nossos inimigos, e para o bem de Sião não retenha sua paz. “Guarda, a que hora estamos da noite?” Que tempos aguardam a igreja? As nuvens estão se aproximando, ou está tudo claro e bonito? Temos de cuidar da igreja com amor inquietante; e agora que a infidelidade ameaça, observemos os sinais dos tempos e nos preparemos para o conflito. “Guarda, a que hora estamos da noite?” Que estrelas podem ser vistas? Que promessas preciosas são adequadas ao nosso caso, neste momento? Tu soas o alarme, mas também ofereces a consolação. Cristo, a Estrela Polar, está sempre em seu lugar, e todas as estrelas estão seguras na mão direita de seu Senhor.

Guarda, quando chegará a manhã? O Noivo se demora. Não existe qualquer sinal do aparecimento do Sol da Justiça? A estrela da manhã não tem surgido como o penhor do dia? Em que momento o dia raiará e as trevas desaparecerão? Ó Jesus, se hoje não vens, pessoalmente, para tua igreja que Te aguarda, então vem em Espírito ao meu coração saudoso e faze-o cantar de alegria.
Agora, toda a terra está radiante e feliz com a nova manhã; Mas todo o meu coração está frio, e escuro e triste: Sol da alma, deixa-me contemplar tua alvorada! Vem, Jesus, Senhor, Oh, rápido vem, de acordo com tua palavra.

C.H. Spurgeon.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

05 de Agosto.

"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus". 
Romanos 8.28



Em alguns assuntos, o crente está absolutamente certo. Por exemplo, o crente sabe que Deus está assentado junto aos passageiros na popa do barco, quando este balança muito. Ele crê que uma mão invisível está sempre no leme do mundo e que, não importando para onde a providência leve o barco, Jeová é quem o dirige. Este conhecimento tranquilizador prepara o crente para todas as coisas. O crente olha por cima das ondas furiosas; vê o Espírito de Jesus andando por sobre as águas e ouve a sua voz, dizendo: “Sou eu. Não temais!” (Marcos 6.50). O crente também reconhece que Deus é sábio. E, reconhecendo isso, permanece confiante de que em sua vida não pode haver acidentes nem erros. Nada que não deveria acontecer acontecerá. O crente pode dizer: “Se eu tiver de perder tudo o que tenho, será melhor perder do que possuir, se esta for a vontade de Deus. A pior calamidade é a coisa mais sábia e mais bondosa que poderia me acontecer, se Deus assim o ordenasse”.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.” O crente sabe que estas palavras constituem a realidade. Todas as coisas têm cooperado para o bem dele. Drogas nocivas misturadas em proporções apropriadas produzem cura; os afiados cortes do bisturi limpam o corpo ulceroso e facilitam o restabelecimento. Por conseguinte, crendo que Deus governa todas as coisas, com sabedoria, e que produz o bem a partir do mal, o coração do crente sente-se em segurança. É capaz de enfrentar com tranquilidade cada provação, à medida que surgem. Em espírito de verdadeira resignação, é capaz de orar: “Envia-me o que desejares, meu Deus, contanto que sejas Tu quem o envias. De tua mesa, nunca deste um manjar desagradável a qualquer de teus filhos”.
Não digas, alma minha: Como pode Deus aliviar meus pesares? Lembra-te que a Onipotência tem servos em todos os lugares. Seu método é sublime; seu coração é um fiel aliado. Deus nunca está adiante de seu tempo e nunca está atrasado.

C.H. Spurgeon.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

03 de Agosto.

"O Cordeiro é a sua lâmpada". 
Apocalipse 21.23

Com muita quietude, contemple o Cordeiro como a luz do céu. Nas Escrituras, a luz é um símbolo da alegria. A alegria dos santos no céu se resume nos seguintes fatos: Jesus nos escolheu, nos amou, nos comprou, nos purificou, nos vestiu, nos preservou e nos glorificou. Estamos aqui tão-somente devido à pessoa do Senhor Jesus. Cada um destes pensamentos é como um cacho de uvas de Escol. A luz também é a causa da beleza. Nada de belo fica, quando a luz acaba. Sem luz, nenhum brilho resplandece da safira, e a pérola não reflete nenhum raio de esplendor. Portanto, toda a glória dos santos no céu procede do Senhor Jesus. À semelhança dos planetas, os santos no céu refletem a luz do Sol da Justiça. Eles vivem como raios que procedem da esfera central. Se o Senhor se retrair, eles morrem. Se a glória de Cristo for ocultada, a glória deles se acabará. A luz também é um símbolo do conhecimento. No céu nosso conhecimento será perfeito, mas a fonte dele será o próprio Senhor Jesus. Na luz do Cordeiro, as providências ocultas, que nunca entendemos, se nos tornarão evidentes; e simples, tudo o que agora nos confunde. Oh! Que revelações haverá e como glorificaremos o Deus de amor!
A luz também significa manifestação. A luz manifesta. Neste mundo “ainda não se manifestou o que haveremos de ser” (1João 3.2). O povo de Deus é um povo encoberto, mas quando Cristo os receber no céu, os tocará com o cetro de seu próprio amor e os mudará à imagem de sua glória manifesta. Eles eram pobres e infelizes mas, que transformação! Foram contaminados pelo pecado; porém, com um toque da mão de Cristo, serão tão resplandecentes como o sol e tão límpidos como o cristal. Oh! que manifestação! Tudo isto procede do Cordeiro exaltado. De tudo o que tiver radiante esplendor Jesus será o centro e a alma. Oh! que estejamos presentes ali, para vê-Lo em sua própria luz, o Rei dos reis e Senhor dos senhores!

C.H. Spurgeon

terça-feira, 2 de agosto de 2016

02 de Agosto.

"Aquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade". 
Efésios 1.11

Nossa crença na soberania de Deus pressupõe que Ele tem um plano e propósito determinado de salvação. O que seria a criação sem o planejamento de Deus? Há um peixe no mar ou uma ave no céu que tenha sido formado por acaso? Não. Em todo osso, músculo, junta, tendão, glândula e vaso sanguíneo, podemos ver a mão de um Deus que realiza todas as coisas de conformidade com o propósito de sua sabedoria infinita. E o Deus que se mostra presente na criação, regendo todas as coisas, não se mostrará presente na graça? Se o conselho divino governa a velha criação, a nova criação não terá a presidi-la o gênio habilidoso da vontade soberana? Contemple a providência! Quem não sabe que nem mesmo um pardal cai em terra sem o consentimento do Pai? Até os cabelos de sua cabeça estão todos contados. Deus avalia em escalas as montanhas de nossa aflição e pesa em balanças os montes de nossas tribulações. Haverá um Deus na providência e não na graça? Seria a casca determinada por sabedoria e o caroço abandonado a uma perspectiva cega? De modo nenhum!
Deus conhece o fim desde o começo. Ele vê, no seu devido lugar, não somente a pedra angular que estabeleceu em cores lindas, no sangue de seu Filho amado, mas também contempla, em sua devida posição, cada uma das pedras eleitas removidas da pedreira da natureza e polidas pela graça dele. Ele vê o todo, da cantoneira à cornija, do alicerce ao teto, do início ao auge. Em sua mente, Deus tem um conhecimento límpido de cada pedra que será colocada no lugar preparado, de quão ampla será a represa e de quando será trazida a última pedra, com gritos de: “Graças, graças a Ti!” Por fim, todos verão com clareza que, em todos os vasos eleitos de misericórdia, Jeová fez com o seu povo o que Ele mesmo quis. Em todos os aspectos da obra da graça, Ele realizou o seu propósito e glorificou o seu próprio nome.

C.H. Spurgeon

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

01 de Agosto.

“Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas". 
Rute 2.2

Crente abatido e atribulado, venha e colha hoje no imenso campo de promessas. Neste campo existem promessas abundantes que satisfarão adequadamente às suas necessidades. Colha esta: “Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega” (Mateus 12.20). Esta promessa é adequada ao seu caso? Talvez você seja uma cana quebrada da qual não pode sair música; uma cana desamparada e mais fraca que a própria fraqueza; uma cana insignificante – apesar disso, o Senhor Jesus não o esmagará; pelo contrário, Ele o revigorará e fortalecerá. Você é semelhante à torcida que fumega. Nenhuma luz ou calor pode emanar de você, contudo, o Senhor Jesus não o apagará. Ele lançará seu doce sopro de misericórdia até lhe colocar em chamas. Você quer apanhar outra espiga? Considere esta: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). Que palavras suaves! O seu coração é delicado, e o Senhor o conhece. Por isso, Ele fala de modo tão gentil com você. Você obedecerá ao Senhor e virá a Ele hoje? Colha outra espiga: “Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu Redentor é o Santo de Israel” (Isaías 41.14). Como você pode ficar com medo, se Ele lhe oferece esta maravilhosa segurança? Você pode apanhar milhares de outras espigas preciosas como esta: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Isaías 44.22); ou esta: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Isaías 1.18). O campo de nosso Senhor é bastante rico; contemple os punhados de promessas disponíveis. Elas estão diante de você, ó crente. Apanhe-as, aproprie-se delas, visto que o Senhor Jesus o ordena a apanhá-las. Não tenha medo – somente creia! Colha estas doces promessas, triture-as por meio da meditação e alimente-se delas com alegria!

C.H. Spurgeon