quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

07 de Dezembro.

"Deus escolheu as coisas humildes do mundo". 
1Coríntios 1.28

Ande pelas ruas da cidade à noite, se você ousar, e verá pecadores. Observe quando as trevas da noite chegam, o vento sopra, e o assaltante esconde-se na entrada e você verá pecadores. Vá à cadeia, e ande pelos corredores; você observará homens com faces ameaçadoras, homens que você não gostaria de encontrar à noite, e encontrará pecadores. Vá aos reformatórios, e observe aqueles que revelaram uma desenfreada depravação juvenil, e verá pecadores lá. Vá a lugares remotos onde encontrará homens primitivos, e lá haverá um pecador. Vá aonde você quiser; não terá necessidade de explorar o mundo para encontrar pecadores, pois eles são muito comuns. Você pode encontrá-los em todas as ruas de todas as cidades, vilas ou bairros. Foi por eles que Jesus morreu. Se você encontrasse o espécime mais cruel da raça humana, eu ainda teria esperança a respeito dele, porque Jesus “veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10). O amor eletivo escolheu alguns dos piores para serem tornados os melhores. Seixos do ribeiro da Graça tornam-se em jóias para a coroa real. O Senhor Jesus transforma a escória indigna em ouro puro. O amor redentor separou muitos dos piores homens para serem a recompensa da paixão de nosso Senhor. A graça eficaz chama muitos dos piores homens para assentarem-se à mesa da misericórdia. Portanto, ninguém deve sentir-se desesperado. Leitor, existe um amor que brota dos olhos lacrimejantes de Jesus e um amor que jorra daquelas feridas sangrentas. Por esse amor fiel, esse amor forte, esse amor puro e tolerante; por esse amor do Salvador, nós o exortamos a não voltar atrás, como se não houvesse nada para você. Creia em Jesus e você será salvo. Confie-Lhe a sua alma, e Ele o trará à presença de Deus na glória eterna.

C.H. Spurgeon

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

06 de Dezembro.

"Como é o homem celestial, tais também os celestiais". 
1Coríntios 15.48

A cabeça e os membros do Corpo de Cristo têm a mesma natureza. Eles não são como aquela imagem monstruosa que Nabucodonosor viu em seu sonho. A cabeça era de fino ouro, mas o ventre e os quadris, de bronze; as pernas, de ferro; e os pés eram, em parte, de ferro, em parte, de barro. O corpo místico de Cristo não é uma mistura absurda de opostos. Os membros eram mortais, por isso, Cristo morreu. A Cabeça glorificada é imortal; portanto, o corpo também é imortal. O relato bíblico permanece: “Porque eu vivo, vós também vivereis” (João 14.19). Assim como é a nossa amável Cabeça, assim também é o corpo e cada membro particular do corpo: uma Cabeça eleita e membros eleitos; uma Cabeça aceita e membros aceitos; uma Cabeça viva e membros vivos. Se a Cabeça é fino ouro, todas as partes do corpo são também de fino ouro. Assim, há uma união dupla de natureza como uma base para a comunhão mais a che­gada. Pare agora, querido leitor, e verifique se pode contemplar, sem admiração e êxtase, a infinita condescendência do Filho de Deus em exaltar a nossa impiedade à bendita união com a glória dEle. Você é tão inferior que ao lembrar a sua mortalidade, dirá à corrupção: “Tu és meu pai” e aos vermes: “Vós sois minha irmã”. Mas em Cristo você é tão honrado, que pode dizer ao Altíssimo: “Aba, Pai” e ao Deus encarnado: “Tu és meu irmão e meu esposo”. Com certeza, se os relacionamentos com famílias antigas e nobres fazem os homens pensarem de modo elevado a respeito de si mesmos, temos muitas razões para nos gloriarmos acima de todos eles. Que o mais pobre e mais desprezado crente agarre-se a este privilégio. Que a insensata preguiça não o faça negligente em reconhecer sua estirpe. Não permita ele que nenhuma ligação tola introduza vaidades que ocupem seus pensamentos e expulsem esta gloriosa e celeste honra de união com Cristo.

C.H. Spurgeon

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

05 de Dezembro.

"Pedi, e dar-se-vos-á". 
Mateus 7.7

Conheço um lugar na Inglaterra onde um pedaço de pão era servido a toda pessoa que por ali passava e decidia pedi-lo. Não importava quem era o transeunte, ele tinha apenas de bater na porta do Hospital Santa Cruz, e havia um pedaço de pão para ele. O Senhor Jesus Cristo ama tanto os pecadores, que construiu o Hospital da Cruz. Quando o pecador está faminto, ele tem apenas de bater, e sua necessidade será suprida. Não, Ele fez melhor ainda. Ele vinculou a este Hospital da Cruz, um banho. Quando uma alma está imunda, ela tem apenas de ir até à cruz e ser lavada. A fonte está sempre cheia, sempre eficaz. Nenhum pecador jamais foi à fonte e descobriu que esta não podia remover-lhe as manchas. Os pecados que eram como a escarlata e vermelhos como o carmesim desapareceram todos, e o pecador se tornou mais alvo do que a neve. Como se isto não bastasse, anexado a este Hospital da Cruz, há um guarda-roupas, e um pecador, fazendo uso dele simplesmente como um pecador, pode ser vestido da cabeça aos pés. Se ele deseja ser um soldado, ele pode ter roupas que não sejam meramente comuns, mas armadura, que o cobrirá desde as solas de seus pés até a coroa de sua cabeça. Se ele pede uma espada, esta lhe será dada e também um escudo. Não lhe será negada coisa alguma que é boa. Ele terá tudo o que necessitar enquanto viver; e possuirá uma herança eterna de tesouros gloriosos, quando entrar no gozo de seu Senhor. Se todas essas coisas podem ser obtidas tão-somente por alguém bater na porta da misericórdia, ó minha alma, bate fortemente e pede grandes coisas ao teu generoso Senhor. Não deixes o trono da graça até que todas as tuas necessidades tenham sido apresentadas ao Senhor e, pela fé, tenhas uma esperança revigorante de que todas elas serão supridas. Nenhuma timidez deve impedi-lo quando Jesus convida. Nenhuma incredulidade deve nos impedir, quando Jesus promete. Nenhuma insensiblidade deve atrapalhar quando tais bênçãos estão para ser obtidas.

C.H. Spurgeon

domingo, 4 de dezembro de 2016

04 de Dezembro.

"Tenho muito povo nesta cidade". 
Atos 18.10

Estas palavras devem ser um grande estímulo para tentar­ mos fazer o que é bom, visto que o Senhor tem, entre os mais vis dos ímpios, os mais réprobos, os mais devassos e bêbados, pessoas que têm de ser salvas. Quando você leva até elas a Pala­vra, faz isso por que Deus lhe ordenou ser o mensageiro de vida para aquelas almas, e elas devem recebê-la, pois assim sen­do o decreto de predestinação corre. Elas são redimidas pelo sangue de Cristo, assim como os santos que agora estão diante do trono eterno. Elas são propriedade de Cristo, apesar de, tal­ vez, ainda serem pessoas que amam os bares e odeiam a santidade. Se Jesus Cristo as comprou, elas serão dEle. Deus não é infiel a ponto de esquecer o preço que o seu Filho pagou. Ele não suportará que o sacrifício vicário de Jesus seja algo ine­ficaz, inútil. Milhares e milhares de redimidos ainda não estão regenerados, mas eles têm de ser regenerados. Este é o nosso consolo quando procuramos alcançá-los com a Palavra vivifica­dora. Ainda mais, Cristo ora, diante do trono, por estes ímpios. “Não rogo somente por estes”, disse o grande Intercessor, “mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (João 17.20) . Almas pobres e ignorantes, que não sabem nada a respeito da oração em favor delas mesmas – o Senhor Jesus orou por elas. Os nomes delas se encontram na estola sacerdotal dEle; e, em breve, elas terão de curvar os joe­lhos rebeldes, suspirando palavras de arrependimento perante o trono da graça. “Não [é] tempo de figos” (Marcos 11.13). O momento predestinado não encalhou; quando ele chegar, elas obedecerão, pois Deus terá aqueles que são dEle mesmo. Elas terão de obedecer, pois o Espírito Santo não será resistido quando vier com plenitude de poder. “Apresentar-se-á voluntariamen­te o teu povo, no dia do teu poder” (Salmos 110.3). “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e… justificará a muitos” (Isaías 53.11). “Eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo” (Isaías 53.12).

C.H. Spurgeon

sábado, 3 de dezembro de 2016

03 de Dezembro.

"Em ti não há defeito". 
Cântico dos Cânticos 4.7

Havendo declarado sua igreja positivamente repleta de beleza, nosso Senhor confirma sua apreciação por meio de uma preciosa negação: “Em ti não há defeito”. É como se o Noivo tivesse pensado que o mundo insinuaria que Ele mencionara apenas as partes agradáveis da igreja e omitido, propositadamente, as características deformadas ou corrompidas. O Senhor Jesus resume tudo, declarando a beleza universal e completa da igreja, bem como a sua total ausência de mácula. Uma mancha é a menor coisa que pode deformar a beleza. Entretanto, mesmo desta pequena mancha, o crente é liberto à vista de seu Senhor. Se o Senhor Jesus houvesse dito que a igreja não tem nenhuma cicatriz severa, nenhuma deformidade horrível, nenhuma úlcera mortal, poderíamos nos admirar disso. Mas quando Ele testemunha que a igreja está livre de qualquer mancha, todas estas outras formas de aviltamento estão incluídas, e a profundidade do milagre aumenta. Se o Senhor Jesus houvesse prometido remover todas as manchas, agora mesmo ou no futuro, teríamos um motivo de regozijo eterno. No entanto, quando Ele fala sobre isto como algo que já foi realizado, quem pode conter as mais intensas emoções de satisfação e deleite? O Senhor Jesus não tem qualquer disputa com a sua esposa. Freqüentemente ela se afasta e entristece o Espírito Santo dEle. Todavia, o Senhor Jesus não permite que os erros de sua esposa afetem o seu amor. Às vezes, Ele a repreende, mas sempre da maneira mais carinhosa e com as melhores intenções. Ele a chama “querida minha” (Cântico dos Cânticos 4.1) mesmo quando ela erra. Não há qualquer recordação de nossas tolices. O Senhor Jesus não nutre pensamentos ruins sobre nós; mas, nos perdoa e ama, depois da ofensa, com a mesma afeição com que nos amava antes. Seu perdão é benéfico a nós, pois se Jesus fosse tão atento às ofensas como nós somos, como poderia Ele ter comunhão conosco? Nosso querido Esposo conhece muito bem os nossos corações insensatos para que se ofenda com nossas atitudes tolas.

C.H. Spurgeon

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

02 de Dezembro.

"Tu és toda formosa, querida minha". 
Cântico dos Cânticos 4.7

A admiração do Senhor por sua igreja é maravilhosa; e a sua descrição da igreja é brilhante. Ela não é apenas formosa, mas “toda formosa”. O Senhor Jesus vê a igreja nEle mesmo, lavada no seu sangue expiatório e vestida com a sua justiça. O Senhor Jesus considera a igreja cheia de graça e beleza. Isto não nos deve causar admiração, visto que Ele está contemplando a sua perfeita excelência. A santidade, a perfeição e a glória da igreja são as vestes gloriosas do próprio Senhor Jesus colocadas sobre a sua amada esposa. A igreja não é simplesmente pura e toda simétrica; é positivamente formosa e amável! Ela tem uma glória presente! As deformidades causadas pelo pecado são removidas da igreja. Além disso, ele obteve, por intermédio de seu Senhor, uma justiça meritória por meio da qual uma beleza real é conferida a ela. Os crentes têm uma retidão positiva que lhes foi outorgada quando eles tornaram-se aceitos no Amado. A igreja também não é meramente amável; ela é excelente­ mente amável. Seu Senhor a chama “mais formosa entre as mulheres” (Cânticos dos Cânticos 1.8). A igreja tem uma verda­deira excelência e valor que não podem ser rivalizados por todos os nobres e reis deste mundo. Se Jesus pudesse trocar a sua noiva eleita por todas as rainhas e imperatrizes da terra ou mes­mo pelos anjos do céu, Ele não faria isso, visto que a coloca em primeiro lugar, acima de qualquer outra coisa -a “mais formo­sa entre as mulheres”.Como a lua, ela brilha mais que as estrelas. Nem é esta opinião algo de que Ele se envergonhe, pois Ele convida todas as pessoas para ouvirem. Ele coloca um “como” diante de sua afirmação, uma nota especial de exclamação, convidando e prendendo a atenção. “Como és formosa, querida minha, como és formosa!” (Cântico dos Cânticos 4.1). Ele publí­ca sua opinião amplamente até agora e um dia, o Senhor Jesus confessará, do trono de sua glória, a verdade desta afirmação diante de todo o universo reunido na presença dEle. “Vinde, benditos de meu Pai!” (Mateus 25.34) será a solene afirmação do Senhor a respeito da amabilidade de seus eleitos.

C.H. Spurgeon

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

01 de Dezembro.

"Tu és o mais formoso dos filhos dos homens". 
Salmos 45.2

Toda a pessoa de Jesus é uma pedra preciosa e sua vida é contínua manifestação de seu selo espiritual. Ele é totalmente completo; não somente em suas várias partes, mas como um todo gracioso, glorioso. Seu caráter não é uma massa de cores suaves misturadas confusamente, nem um amontoado de pe­dras preciosas, colocadas descuidadamente umas sobre as outras. Ele é a figura da beleza e representante da glória. Em Jesus, todas as virtudes estão em seu devido lugar e cooperam para adornar umas às outras. Nenhuma das características da glorio­sa pessoa do Senhor Jesus atrai a atenção a expensas de outras. Ele é perfeito e completamente formoso. Ó Senhor Jesus, teu poder, tua graça, tua justiça, tua amabilidade, tua verdade, tua majestade e tua imutabilidade constituem um caráter tal, como Deus-homem, que nem o céu ou a terra viram em outro ser. Tua infância, tua eternidade, teus sofrimentos, teus triunfos, tua morte e tua imortalidade estão todos entretecidos em um magnífico tapete sem costura ou emendas. Tu és música sem dissonância. Tu és muitos, mas, apesar disso, não estás dividido. Tu és todas as coisas, mas, assim mesmo, não és diverso. Assim como todas as cores se unem para formar um arco-íris resplendente, assim também todas as glórias do céu e da terra se encontram em Ti, e se unem de modo tão maravilhoso, que não existe outro seme­lhante a Ti em todas as coisas. Ó Senhor Jesus, se todas as virtudes mais excelentes dos homens fossem atadas em um único feixe, não poderiam rivalizar contigo, espelho de toda perfeição. Tu fostes ungido com o óleo sagrado de cássia e mirra, que o teu Deus reservou tão-somente para Ti. A tua fragrância é seme­lhante à do perfume santo, à semelhança do qual nenhum homem pode misturar amoras. Com a arte do boticário, cada especiaria é fragrante, e a composição é divina. Oh! sagrada simetria! Oh! rara conexão De muitos perfeitos, faz única perfeição! Oh! música celeste, que em seus acordes deleita; Melodia agradável, única música perfeita!

C.H. Spurgeon