sábado, 7 de outubro de 2017

06 de Outubro.

O Deus feliz

À sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus [feliz]. 
1 Timóteo 1: 10-11, trad. lit.

Grande parte da glória de Deus é a sua felicidade.
Era inconcebível para o apóstolo Paulo que Deus pudesse não ter infinita alegria e ainda ser todo glorioso. Ser infinitamente glorioso era ser infinitamente feliz. Ele usou a frase “a glória do Deus feliz”, porque é algo maravilhoso Deus ser tão feliz quanto ele é.
A glória de Deus consiste muito no fato de que ele é feliz além do máximo que podemos imaginar.
Este é o evangelho: “o evangelho da glória do Deus feliz”. É uma boa notícia que Deus seja gloriosamente feliz.
Ninguém gostaria de passar a eternidade com um Deus infeliz. Se Deus é infeliz, então o objetivo do evangelho não é um objetivo feliz, e isso significa que ele não é evangelho algum.
Mas, de fato, Jesus nos convida a passar a eternidade com um Deus feliz quando diz: “Entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25.23). Jesus viveu e morreu para que a sua alegria — a alegria de Deus — pudesse estar em nós e nossa alegria pudesse ser completa (João 15.11; 17.13). Portanto, o evangelho é “o evangelho da glória do Deus feliz”.
A felicidade de Deus é antes de tudo uma felicidade em seu Filho. Assim, quando compartilhamos a felicidade de Deus, partilhamos do mesmo deleite que o Pai tem no Filho.
É por isso que Jesus tornou o Pai conhecido para nós. No fim da sua grandiosa oração em João 17, ele disse ao seu Pai: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (João 17.26). Ele fez Deus conhecido para que o deleite de Deus em seu Filho estivesse em nós e se tornasse o nosso prazer.

John Piper.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

05 de Outubro.

A justiça será feita

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. 
Romanos 12: 19.

Todos vocês foram injustiçados em um momento ou outro. A maioria de vocês, provavelmente, foi seriamente injustiçado por alguém que nunca pediu desculpas ou fez algo suficiente para consertá-lo.
E um dos profundos obstáculos para o abandono da dor e da amargura é a convicção — a convicção justificada — de que a justiça deveria ser feita, e de que o curso do universo mostrará que pessoas podem simplesmente escapar com erros horríveis e enganar a todos.
Esse é um dos obstáculos ao perdão e ao abandono dos rancores. Não é o único. Temos nosso próprio pecado com o qual lidar. Mas é um obstáculo real.
Sentimos que apenas relevar seria admitir que a justiça simplesmente não será feita. E nós não podemos fazer isso.
Então, nos apegamos à ira e repetimos a história muitas vezes com os sentimentos de que isso não deveria ter acontecido; não deveria ter acontecido; foi errado; foi errado. Como ele pode estar tão feliz agora, quando eu estou tão miserável? Isso é tão errado. É tão errado!
Esta palavra em Romanos 12.19 é dada por Deus a vocês, para remover esses seus fardos.
“Não vos vingueis a vós mesmos… mas dai lugar à ira”. O que isso significa para vocês?
Abandonar o fardo da ira, abandonar a prática de nutrir a sua dor com sentimentos de ter sido prejudicado — abandonar tudo isso — não significa que não aconteceu um grande erro contra vocês.
Isso não significa que não há justiça. Isso não significa que vocês não serão vindicados. Isso não significa que eles escaparam. Não.
Isso significa, quando vocês deixam o fardo da vingança, Deus tomará esse fardo.
Essa não é uma maneira suave de se vingar. Essa é uma maneira de dar vingança àquele a quem ela pertence.
Isso é respirar profundamente, talvez pela primeira vez em décadas, e sentir como agora, por fim, que vocês podem ser livres para amar.

John Piper.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

04 de Outubro.

Alegria ilimitada

Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.
João 17: 26.

Imagine ser capaz de desfrutar do que é mais agradável com força e paixão ilimitadas para sempre. Agora, essa não é a nossa experiência. Três coisas são obstáculos para a nossa completa satisfação neste mundo.
Um obstáculo é que nada tem um valor pessoal grande o suficiente para satisfazer os anseios mais profundos dos nossos corações.
Outro obstáculo é que nos falta a força para saborear os melhores tesouros ao máximo do seu valor.
E o terceiro obstáculo para a completa satisfação é que nossas alegrias aqui chegam a um fim. Nada permanece. Mas se o propósito de Jesus em João 17.26 é real, tudo isso mudará.
Se o deleite de Deus no Filho se tornar o nosso deleite, então o objeto do nosso prazer, Jesus, será inesgotável em excelência pessoal. Ele nunca se tornará tedioso, decepcionante ou frustrante.
Nenhum maior tesouro pode ser concebido do que o Filho de Deus.
Além disso, nossa capacidade de saborear esse tesouro inesgotável não será limitada pelas fraquezas humanas. Nós apreciaremos o Filho de Deus com o próprio deleite do seu Pai.
O deleite de Deus em seu Filho estará em nós e será nosso. E isso nunca acabará, porque nem o Pai nem o Filho jamais acabarão.
O amor deles, um pelo outro, será o nosso amor por eles e, portanto, nunca deixaremos de amá-los.

John Piper.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

02 de Outubro.

Deus não é triste

O SENHOR frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações. 
Salmo 33: 10-11.

“No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Salmo 115.3). A implicação desse texto é que Deus tem o direito e o poder de fazer o que o deixa feliz. Isso é o que significa dizer que Deus é soberano.
Pense nisso por um momento: Se Deus é soberano e pode fazer qualquer coisa que lhe agrada, então nenhum dos seus propósitos pode ser frustrado. “O SENHOR frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações” (Salmo 33.10-11).
E se nenhum dos seus propósitos pode ser frustrado, então ele deve ser o mais feliz de todos os seres.
Essa felicidade infinita e divina é a fonte da qual o Cristão (Hedonista) bebe e deseja beber mais profundamente.
Você pode imaginar como seria se o Deus que governa o mundo não fosse feliz? E se Deus murmurasse, ficasse iracundo e deprimido, como o gigante da história de João e o pé de feijão? E se Deus fosse frustrado, desanimado, abatido, triste, descontente e melancólico?
Poderíamos nos unir a Davi e dizer: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Salmo 63.1)? Eu penso que não.
Todos nos relacionaríamos com Deus como filhos que têm um pai frustrado, abatido, triste e descontente. Eles não conseguem desfrutar dele. Eles só podem tentar não incomodá-lo, ou talvez tentar trabalhar para ele a fim de ganhar algum pequeno favor.
O objetivo do Cristão Hedonista é ser feliz em Deus, se deleitar em Deus, apreciar e fruir da sua comunhão e favor.

John Piper.

03 de Outubro.

Amor absoluto, soberano e todo-poderoso

“SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”
Êxodo 34: 6.

Deus é grande em amor e fidelidade constantes.
Duas figuras vêm à minha mente:
O coração de Deus é como uma inesgotável fonte de água que borbulha amor e fidelidade desde o topo da montanha.Ou o coração de Deus é como um vulcão que tanto arde em amor que explode o topo da montanha e ano após ano flui com a lava do amor e da fidelidade.
Quando Deus usa a palavra “grande”, ele deseja que entendamos que os recursos do seu amor não são limitados. De certa forma, ele é como o governo: sempre que há uma necessidade, ele pode apenas imprimir mais dinheiro para supri-la.
Mas a diferença é que Deus tem um tesouro infinito de amor de ouro para suprir todo dinheiro que ele imprime. O governo está em um mundo de sonhos. Deus deposita de forma muito realista os recursos infinitos da sua divindade.
A existência absoluta, a liberdade soberana e a onipotência de Deus são a plenitude vulcânica que explode em um transbordamento de amor. A plena magnificência de Deus significa que ele não precisa de nós para preencher qualquer deficiência em si mesmo. Em vez disso, sua infinita autossuficiência se derrama em amor para nós que precisamos dele.
Nós podemos confiar em seu amor exatamente porque cremos em sua existência absoluta, na sua liberdade soberana e no seu poder ilimitado.

John Piper.

domingo, 1 de outubro de 2017

01 de Outubro.

O objeto totalmente satisfatório

Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração. 
Salmo 37: 4.

A busca pelo prazer não é opcional, mas ordenada (nos Salmos): “Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmo 37.4).
Os salmistas buscaram fazer exatamente isso: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Salmo 42.1-2). “A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Salmo 63.1).
O motivo da sede tem sua contrapartida satisfatória quando o salmista diz que os homens “fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dás de beber” (Salmo 36.8).
Eu descobri que a bondade de Deus, sendo o próprio fundamento da adoração, não é algo a que você demonstra respeito por meio de algum tipo de reverência desinteressada. Não, ela é algo a ser apreciado: “Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom” (Salmo 34.8).
“Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca” (Salmo 119.103).
Como diz C.S. Lewis, Deus nos Salmos é o “objeto todo-satisfatório”. Seu povo o adora sem se envergonhar pela “grande alegria” que encontra nele (Salmo 43.4). Ele é a fonte do prazer completo e inesgotável: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Salmo 16.11).

John Piper.

30 de Setembro.

A descoberta mais libertadora

Quanto ao mais, irmãos meus, alegrai-vos no Senhor.
Filipenses 3: 1.

Ninguém jamais havia me ensinado que Deus é glorificado pela nossa alegria nele. Essa alegria em Deus é a mesma coisa que faz do louvor uma honra a Deus, e não hipocrisia.
Mas Jonathan Edwards disse isso de forma clara e poderosa:
Deus glorifica a si mesmo para com as criaturas também [em] duas formas: (1) revelando-se… ao entendimento delas; (2) comunicando-se aos seus corações, e na sua alegria, deleite e gozo das manifestações que ele faz de si mesmo… Deus não é glorificado apenas pela sua glória ser vista, mas por ela ser objeto de deleite…
Quando aqueles que a veem se deleitam nela, Deus é mais glorificado do que se eles apenas a vissem… Aquele que testifica ter a sua ideia da glória de Deus [não] glorifica tanto a Deus quanto aquele que testifica também que aprova e se deleita nessa glória.
Essa foi uma descoberta maravilhosa para mim. Eu preciso buscar a alegria em Deus, se quiser glorificá-lo como a Realidade surpreendentemente valiosa no universo. A alegria não é uma mera opção ao lado da adoração. É um componente essencial da adoração.
Nós temos um nome para aqueles que tentam louvar quando não têm deleite no objeto. Nós os chamamos de hipócritas. O fato de que o louvor significa completo prazer e que o fim mais elevado do homem é beber profundamente desse prazer, foi talvez a descoberta mais libertadora que eu já fiz.

John Piper.