domingo, 31 de dezembro de 2017

31 de Dezembro.

Ensaio para a morte

Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca… Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.
Salmo 90: 5-6, 12.

Para mim, o fim de um ano é como o fim da minha vida. E 23h59 em 31 de dezembro é semelhante ao momento da minha morte.
Os 365 dias do ano são como uma vida em miniatura. E essas horas finais são como os últimos dias no hospital depois do médico me dizer que o fim está muito perto. E nessas últimas horas, a vida desse ano passa diante dos meus olhos, e eu enfrento a inevitável pergunta: Eu vivi bem? Jesus Cristo, o justo juiz, dirá “Muito bem, servo bom e fiel”?
Eu me sinto muito abençoado por meu ano terminar desse modo. E oro para que o fim do ano possa ter o mesmo significado para você.
O motivo pelo qual eu me sinto feliz é que há um grande proveito em ter um período de ensaio da minha própria morte. É um grande benefício ensaiar uma vez por ano a preparação para a última cena da sua vida. Esse é um grande benefício porque a manhã de 1º de janeiro encontrará a maioria de nós vivos, na iminência de inteira vida nova, capazes de começar tudo novamente.
A importância dos ensaios é que eles mostram onde estão as suas fraquezas, onde a sua preparação foi defeituosa; e eles dão tempo para que você mude antes da atuação verdadeira.
Suponho que para alguns de vocês o pensamento de morrer é tão mórbido, tão sombrio, tão cheio de sofrimento e dor que é melhor mantê-lo fora das suas mentes, especialmente durante os feriados. Eu acho que isso é insensato e que você presta a si mesmo um grande desserviço. Pois eu tenho descoberto que há poucas coisas mais revolucionárias para a minha vida do que uma meditação periódica sobre a minha própria morte.
Como você alcança um coração sábio para que saiba como viver melhor? O salmista responde:
Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca… Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio(Salmo 90.5-6, 12).

Contar os seus dias significa simplesmente lembrar que a sua vida é curta e que a sua morte será em breve. Grande sabedoria — grande sabedoria que revoluciona a vida — é alcançada por ponderar de modo periódico nessas coisas.
O critério de sucesso que Paulo usou para avaliar a sua vida era se ele tinha guardado a fé. É nisso que eu desejo que nos concentremos.
E se nós descobrirmos que não guardamos a fé no ano passado, então podemos ficar contentes, como eu fico, que essa morte de fim de ano seja (nós esperamos) apenas um ensaio e toda uma vida de possibilidade de guardarmos a fé esteja diante de nós no próximo ano.

John Piper.

sábado, 30 de dezembro de 2017

30 de Dezembro.

Aperfeiçoados e capacitados com poder

Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!
Hebreus 13: 20-21.

Cristo derramou o sangue da eterna aliança. Por meio dessa redenção bem-sucedida, ele obteve a bênção da ressurreição dentre os mortos. Agora, ele é o nosso vivo Senhor e Pastor.
E por causa disso tudo, Deus faz duas coisas:
Ele nos aperfeiçoa com tudo o que é bom para que possamos cumprir a sua vontade, eEle opera em nós o que é agradável diante dele.
A “eterna aliança”, garantida pelo sangue de Cristo, é a nova aliança. E a promessa da nova aliança é esta: “as minhas leis, também no coração lhas inscreverei” (Jeremias 31.33-34). Portanto, o sangue dessa aliança não apenas assegura que Deus nos aperfeiçoa para que cumpramos a sua vontade, mas também garante que Deus opera em nós para tornar esse aperfeiçoamento bem-sucedido.
A vontade de Deus não está apenas escrita em pedra ou papel como um meio de graça. Está operando em nós. E o efeito é que nós sentimos, pensamos e agimos de maneiras mais agradáveis ​​a Deus.
Nós ainda estamos ordenados a usar a capacitação que Ele nos dá: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”. Porém, o mais importante é que o motivo nos é revelado: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2.12-13).
Se nós somos capazes de agradar a Deus — se realizamos a sua boa vontade — é porque a graça de Deus, comprada pelo sangue, passou da mera capacitação para a transformação onipotente.

John Piper.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

29 de Dezembro.

Um destino terrível

…Jesus, que nos livra da ira vindoura.
1 Tessalonicenses 1: 10.

Você recorda o tempo em que estava perdido como uma criança, ou caindo do alto de um precipício, ou prestes a se afogar? Então, de repente você foi resgatado. Você se segurou pela “vida amada”. Você tremeu pelo que quase perdeu. Você estava feliz. Oh, tão feliz e agradecido. E você tremeu de alegria.
É assim que me sinto no fim do ano em relação ao meu resgate da ira de Deus. Todos os dias de Natal tínhamos fogo na lareira. Às vezes, as brasas estavam tão quentes que quando eu me aproximava, minha mão realmente doía. Eu recuava e estremecia ao pensar na horrenda ira de Deus contra o pecado no inferno. Quão indizivelmente terrível será!
Na tarde de Natal, eu visitei uma mulher que tinha sido queimada em mais de 87 por cento de seu corpo. Ela está no hospital desde agosto. Meu coração ficou comovido por ela. Quão maravilhoso foi lhe oferecer a esperança da Palavra de Deus! Porém, eu saí não apenas pensando sobre sua dor nessa vida, mas também sobre a dor eterna da qual fui salvo por meio de Jesus.
Teste a minha experiência comigo. Essa alegria com tremor é uma maneira apropriada de terminar o ano? Paulo estava contente que o Senhor do céu fosse “Jesus, que nos livra da ira vindoura” (1 Tessalonicenses 1.10). Ele advertiu que haverá “ira e indignação aos… que desobedecem à verdade” (Romanos 2.8). E “por essas coisas [imoralidade sexual, impureza e cobiça] vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Efésios 5.6).
Agora, no fim do ano, estou terminando minha jornada pela Bíblia e lendo o último livro, Apocalipse. Essa é uma profecia gloriosa do triunfo de Deus e da alegria eterna de todos os que recebem “de graça a água da vida” (22.17). Sem mais lágrimas, dor, depressão, tristeza e morte (21.4).
Mas oh, o horror de não se arrepender e não se manter firme ao testemunho de Jesus! A descrição da ira de Deus pelo “apóstolo do amor” (João) é aterrorizante. Aqueles que rejeitam o amor de Deus beberão “do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite” (14.10-11). “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (20.15). Jesus pisará “o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” (19.15). E o sangue irá “do lagar até aos freios dos cavalos, numa extensão de mil e seiscentos estádios” (14.20).
Eu tremo com alegria porque eu sou salvo! Oh, a santa ira de Deus é um destino terrível! Fujam, irmãos e irmãs. Fujam com todas as suas forças. E vamos salvar o máximo de pessoas que pudermos! Não surpreende que haja mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por 99 justos (Lucas 15.7)!

John Piper.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

28 de Dezembro.

A glória é o objetivo

Por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.
Romanos 5: 2.

Ver a glória de Deus é nossa esperança suprema. “Gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Romanos 5.2). Deus “vos apresentará com exultação, imaculados diante da sua glória” (Judas 24).
Ele dará a “conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou” (Romanos 9.23). “Deus… vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2.12). “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tito 2.13).
Jesus, em toda a sua pessoa e obra, é a encarnação e revelação final da glória de Deus. “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hebreus 1.3). “Pai, a minha vontade é que… estejam também comigo… para que vejam a minha glória” (João 17.24).
“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada” (1 Pedro 5.1). “A própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8.21).
“Falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória” (1 Coríntios 2.7). “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2 Coríntios 4.17). “Aos que justificou, a esses também glorificou” (Romanos 8.30).
Ver e compartilhar a glória de Deus é a nossa esperança suprema por meio do evangelho de Cristo.
Eu anseio que essa esperança seja realmente conhecida e estimada como tendo um efeito enorme e decisivo sobre nossos valores, escolhas e ações atuais.
Conheça a glória de Deus. Estude a glória de Deus, a glória de Cristo, a glória do mundo que revela a glória de Deus e a glória do evangelho que revela a glória de Cristo.
Valorize a glória de Deus acima de todas as coisas.
Examine a sua alma. Conheça a glória para a qual você é atraído, e saiba por que você valoriza glórias que não são a glória de Deus.
Examine a sua própria alma para que saiba como fazer as glórias do mundo desmoronarem como Dagom (1 Samuel 5.4) em miseráveis pedaços ​​no chão dos templos do mundo.

John Piper.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

27 de Dezembro.

Qual é o seu objetivo?

Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
Hebreus 10: 24.

Quando você se levanta pela manhã e enfrenta um dia, o que diz a si mesmo sobre as suas esperanças para este dia? Quando olha do começo ao fim do dia, o que deseja que aconteça porque você viveu?
Se você diz: “Eu jamais pensei assim, apenas me levanto e faço o que preciso fazer”, então você está se privando de um meio básico de graça e de uma fonte de direção, força, fecundidade e alegria. Está claro na Bíblia, incluindo nesse texto, que Deus deseja que nós objetivemos de modo consciente algo significativo em nossos dias.
A vontade revelada de Deus para você é que, quando você se levantar pela manhã, não saia sem rumo ao longo do dia deixando que somente a mera circunstância dite o que você faz, mas que você objetive algo — que se concentre em um determinado tipo de propósito. Aqui, estou falando sobre crianças, jovens e adultos — solteiros, casados, viúvos, mães, e de todos os afazeres.
A falta de objetivo é semelhante à falta de vida. As folhas mortas no quintal podem se mover mais do que qualquer outra coisa — mais do que o cachorro e as crianças. Se o vento sopra em uma direção, elas vão por esse caminho. Se o vento sopra em outra direção, elas vão por aquele caminho. As folhas caem, tocam no chão, saltitam, pressionam contra uma cerca, mas não têm objetivo algum. Elas são cheias de movimento e vazias de vida.
Deus não criou os seres humanos à sua imagem para que estejam sem objetivo, como folhas mortas espalhadas no quintal da vida. Ele nos criou para que sejamos propositais — para que tenhamos um alvo e um objetivo em todos os nossos dias. Qual é o seu objetivo hoje?

John Piper

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

26 de Dezembro.

Como contemplar a tragédia

Porque ondas de morte me cercaram, torrentes de impiedade me impuseram terror… O caminho de Deus é perfeito.
2 Samuel 22: 5, 31.

Após a perda dos seus dez filhos devido a um desastre natural (Jó 1.19), Jó disse: “O SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21). No fim do livro, o escritor inspirado confirma a compreensão de Jó sobre o que aconteceu. Ele diz que os irmãos e irmãs de Jó “o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado” (Jó 42.11).
Isso tem várias implicações cruciais para nós enquanto pensamos sobre a grande tragédia que aconteceu em 26 de dezembro de 2005, no Oceano Índico — um dos mais fatais desastres naturais já registrados.

1. Satanás não é soberano, Deus é.
Satanás tinha uma participação na miséria de Jó, mas não a participação decisiva. Deus deu a Satanás permissão para afligir a Jó (Jó 1.12; 2.6). Mas Jó e o escritor desse livro consideram Deus como a causa final e decisiva. Quando Satanás aflige Jó com feridas, Jó diz à sua esposa: “Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (Jó 2.10), e o escritor chama esses tumores satânicos de “o mal que o SENHOR lhe havia enviado” (Jó 42.11). Logo, Satanás é real. Satanás traz miséria. Mas Satanás não é supremo ou decisivo. Ele está preso. Ele não vai mais longe do que Deus permite de modo decisivo.

2. Mesmo que Satanás tenha causado o terremoto no Oceano Índico no dia seguinte ao Natal, ele não é a causa decisiva de mais de 200.000 mortes; Deus é.
Deus reivindica o poder sobre os tsunamis em Jó 38.8 e 11, quando ele pergunta de forma retórica a Jó: “Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre… e disse: até aqui virás e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?”. O Salmo 89.8-9 afirma: “Ó SENHOR… Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas”. E o próprio Jesus ainda hoje tem o controle de outrora sobre as ameaças mortais das ondas: “Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança” (Lucas 8.24). Em outras palavras, mesmo se Satanás tivesse causado o terremoto, Deus poderia ter parado as ondas.

3. As calamidades destrutivas neste mundo misturam juízo e misericórdia.
Seus propósitos não são simples. Jó era um homem piedoso e suas misérias não eram castigo de Deus (Jó 1.1, 8). Seu desígnio era purificar, não castigar (Jó 42.6). Mas não conhecemos a condição espiritual dos filhos de Jó. Ele certamente estava preocupado com seus filhos (Jó 1.5). Deus pode ter ceifado a vida deles em juízo. Se isso for verdade, então a mesma calamidade provou, por fim, ser misericórdia para Jó e juízo sobre seus filhos. Isso é verdade em relação a todas as calamidades. Elas misturam juízo e misericórdia. Elas são tanto punição quanto purificação. O sofrimento, e até a morte, pode ser ao mesmo tempo juízo e misericórdia.
A ilustração mais evidente disso é a morte de Jesus. Ela foi tanto juízo quanto misericórdia. Foi juízo sobre Jesus porque ele levou nossos pecados (não os seus próprios), e foi misericórdia para nós que confiamos que ele suportou o nosso castigo (Gálatas 3.13; 1 Pedro 2.24) e que é a nossa justiça (2 Coríntios 5. 21). Outro exemplo é a maldição que se encontra sobre esta terra caída. Aqueles que não creem em Cristo a experimentam como juízo, mas os crentes a experimentam como uma preparação misericordiosa, embora dolorosa, para a glória. “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança…” (Romanos 8.20). Essa é a sujeição de Deus. É por isso que tsunamis ocorrem.

4. O coração que Cristo dá ao seu povo sente compaixão por aqueles que sofrem, não importa qual seja a fé deles.
Quando a Bíblia diz: “Chorai com os que choram” (Romanos 12.15), não acrescenta: “a não ser que Deus tenha causado o choro”. Os consoladores de Jó teriam agido melhor se chorassem com ele, do que ao falarem tanto. Isso não muda quando descobrimos que o sofrimento de Jó vinha finalmente da parte Deus. Não, é certo chorar com os que sofrem. Dor é dor, não importa quem a cause. Nós todos somos pecadores. A empatia não flui das causas da dor, mas da companhia da dor. E nisso nós estamos todos juntos.

5. Por fim, Cristo nos chama a demonstrar misericórdia aos que sofrem, mesmo que não eles mereçam.
Esse é o significado de misericórdia: ajuda imerecida. “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam” (Lucas 6.27).

John Piper

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

25 de Dezembro.

Três presentes de Natal

Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.
1 João 3: 7-8

Reflita comigo sobre essa situação impressionante. Se o Filho de Deus veio ajudá-lo a parar de pecar — ou seja, destruir as obras do diabo — e se ele também veio morrer para que, quando você pecar, haja uma propiciação, uma remoção da ira de Deus, então qual é a implicação disso para a sua vida?
Três coisas. E elas são maravilhosas. Eu as dou a você de forma resumida, como presentes de Natal:

1. Um propósito claro para viver
Isso implica que você tem um propósito claro para viver. De modo negativo, é simplesmente isso: não peque. “Estas coisas vos escrevo para que não pequeis” (2.1). “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (3.8).
Caso você pergunte: “Você pode nos explicar isso de modo positivo, em vez de negativamente?”, a resposta é: Sim, tudo está resumido em 1 João 3.23. Esse é um grande resumo do que toda a carta de João requer. Observe o “mandamento” singular: “Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou”. Essas duas ordens estão tão intimamente ligadas para João que ele as chama de um mandamento: crer em Jesus e amar os outros. Esse é o seu propósito. Esse é o resumo da vida cristã. Crer em Jesus, amar as pessoas. Confie em Jesus e ame as pessoas. Esse é o primeiro presente: um propósito para viver.

2. Esperança de que os nossos fracassos serão perdoados
Agora, considere a segunda implicação da dupla verdade de que Cristo veio para destruir nosso pecar e perdoar nossos pecados. Nós fazemos progresso em vencer nossos pecados quando temos esperança de que nossos fracassos serão perdoados. Se você não tem esperança de que Deus perdoará as suas falhas, quando começa a lutar contra o pecado, você desiste.
Muitos de vocês estão pensando em algumas mudanças no ano novo, porque caíram em padrões pecaminosos e desejam parar. Vocês querem alguns novos padrões de alimentação, novos padrões de entretenimento, novos padrões de ofertar, novos padrões de relacionamento com seu cônjuge, novos padrões de devoções em família, novos padrões de sono e exercício, novos padrões de coragem no testemunho. Mas vocês estão lutando, perguntando a si mesmos se isso é de algum proveito. Bem, aqui está o seu segundo presente de Natal: Cristo não somente veio para destruir as obras do diabo — nosso pecado — ele também veio para ser um advogado para nós quando falhamos em nossa luta.
Portanto, eu imploro a você: que a liberdade de falhar lhe dê a esperança de lutar. Mas cuidado! Se você transformar a graça de Deus em libertinagem, e disser: “Bem, se eu posso falhar, e isso não importa, então por que me preocupar em lutar?” — Se você disser isso, tiver essa intenção, e continuar agindo desse modo, provavelmente não nasceu de novo e deve tremer.
Mas a maioria de vocês não está nessa situação. A maioria de vocês deseja lutar contra os padrões pecaminosos em sua vida. E o que Deus está dizendo para vocês é: que a liberdade de falhar lhes dê esperança para lutar. Estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos um Advogado, Jesus Cristo.

3. Cristo nos ajudará
Por fim, a terceira implicação da dupla verdade de que Cristo veio para destruir e perdoar nossos pecados é esta: Cristo realmente nos ajudará em nossa luta. Ele realmente ajudará você. Ele está do seu lado. Ele não veio destruir o pecado porque o pecado é divertido. Ele veio para destruir o pecado porque é fatal. É uma obra enganosa do diabo e nos destruirá se não a combatermos. Jesus veio nos ajudar, não nos prejudicar.
Então, aqui está o seu terceiro presente de Natal: Cristo o ajudará a vencer o pecado em você. 1 João 4.4 diz: “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”. Jesus está vivo, Jesus é todo-poderoso, Jesus vive em nós pela fé. E Jesus é por nós, não contra nós. Ele ajudará você. Confie nele.

John Piper.