segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Soberania e Salvação

E, ah, quão frequentemente temos traçado esquemas para o futuro,
sem pedir permissão a Deus! Os homens disseram como esses loucos
que Tiago menciona: "Hoje e amanhã iremos a tal cidade, e lá
passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos." Mas eles não
sabiam o que seria o amanhã, pois muito antes que viesse a manhã não
puderam nem vender nem comprar: a morte os havia reclamado, e um
pequeno palmo de terra continha todos seus restos mortais.
Deus ensina Seu povo a cada dia, por meio da enfermidade, da aflição,
da depressão espiritual, do abandono de Deus, da perda do Espírito por
um tempo, e da falta de alegria em seu rosto: ensina que Ele é Deus, e
não há outro. E não devemos esquecer que há alguns servos especiais
de Deus, levantados para grandes obras, que devem aprender esta lição
de maneira especial. Por exemplo, vejamos um homem chamado à
grandiosa obra de pregar o Evangelho. Tem êxito; Deus o ajuda;
milhares de pessoas aprendem aos seus pés, e multidões estão
pendentes de seus lábios; tão certo como é humano, terá uma
tendência a ser exaltado sem medida, e começará a se olhar demasiado,
e olhar muito pouco para Deus. Que os homens que conhecem sejam os
que falem, e que digam o que sabem; e eles dirão: "é certo, é muito
certo." Se Deus nos dá uma missão especial, geralmente começamos a
dar-nos honra e glória a nós mesmos. Mas ao considerar os eminentes
santos de Deus, por acaso não se deram conta, como Deus os levou a
sentir que Ele é Deus, e não há outro? O pobre Paulo poderia ter se
considerado um deus, e poderia ter exultado com sucesso, em razão da
grandeza de sua revelação, se não tivesse recebido um aguilhão em sua
carne, e os deuses não podiam ter aguilhões em sua carne.
Algumas vezes Deus ensina ao ministro negando-lhe a ajuda em
ocasiões especiais. Às vezes subimos ao púlpito, e dizemos: "Oh, que eu
tivesse um bom dia hoje!" E começamos a esforçar-nos; temos sido mui
ardentes e incansáveis em nossa oração; mas somos semelhantes ao
cavalo que tem os olhos vendados para dar voltas no moinho, ou como
Sansão com Dalila: sacudimos nossas vãs extremidades com grande
surpresa, "apresentamos um débil combate," e não obtemos nenhuma
vitória. Somos conduzidos a ver que o Senhor é Deus, e não há outro.
Mui frequentemente, Deus ensina isto ao ministro levando-o ao ponto
de ver sua própria natureza pecaminosa. Terá tal discernimento sobre
seu próprio coração perverso e abominável, que sentirá, quando suba
ao púlpito, que não merece nem sequer sentar-se em um dos bancos da
igreja, e muito menos pregar a seus companheiros. Ainda que sempre
sentimos gozo ao declarar a Palavra de Deus, contudo, sabemos o que é
vacilar ao subir os degraus do púlpito, sob a sensação que o primeiro
entre os pecadores não deveria ter permissão para pregar aos demais.
Ah, amados, não creio que alguém tenha êxito como ministro, se não é
levado às profundidades e trevas de sua própria alma, a ponto de ter
que exclamar: "A mim, que sou menos que o menor de todos os santos,
me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios o evangelho das
inescrutáveis riquezas de Cristo."

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