sexta-feira, 12 de outubro de 2012
A Parábola do Rio. Parte 2.
Mas a correnteza era demasiadamente forte. Tentaram caminhar ao longo da margem, porém o terreno era íngreme demais. Consideraram a possibilidade de subir as montanhas, contudo, o cimo era muito alto. Além de tudo, não conheciam o caminho.Finalmente, fizeram um fogo, e sentaram-se à volta. — Não deveríamos ter desobedecido nosso pai — admitiram eles. — Estamos a grande distância de casa.Com o passar do tempo, os filhos aprenderam a sobreviver na terra estranha. Encontraram nozes para alimento, e mataram animais para ter as peles. Eles tinham determinado não esquecer aterra natal, nem abandonar as esperanças de retornar. A cada dia,os quatro aplicavam-se à tarefa de achar alimento e construir abrigo. A cada noite, acendiam o fogo e contavam histórias de seu pai e do irmão mais velho, ansiando por vê-los novamente.Então, numa noite, um dos irmãos ausentou-se da fogueira.Os outros o encontraram, na manhã seguinte, no vale com os selvagens. Ele havia construído uma choupana de barro e palha. — Tenho me cansado de nossas conversas — confessou ele. — De que adianta recordar? Além de que, esta terra não é tão ruim. Vou construir uma grande casa e estabelecer-me aqui. — Mas aqui não é nosso lar. — Objetaram os outros. — Não. Mas será, se vocês não pensarem no verdadeiro — Mas, e nosso pai? — O que tem ele? Ele não está aqui. Não está por perto. Devo viver para sempre na expectativa de sua chegada? Estou fazendo novos amigos; estou aprendendo novos caminhos. Se ele vier,muito que bem, mas eu não vou parar minha vida.E assim, os outros três deixaram o construtor de cabanas, es e foram. Eles continuaram a se encontrar em volta do fogo,falando do lar e sonhando com o retorno.Alguns dias depois, o segundo irmão faltou ao encontro da fogueira. Na manhã seguinte, os outros dois o acharam no alto de uma ladeira, fitando a cabana de seu irmão. — Que desgosto — desabafou ele, quando os dois se aproximaram. — Nosso irmão é um fracasso total. Um insulto ao nome de nossa família. Podem imaginar um ato mais desprezível?Construindo uma cabana, e esquecendo nosso pai?!
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