segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Parábola do Rio. Parte 5.

O rio é tão comprido! A tarefa é grande demais para você. Papai mandou-me carregá-lo para casa. Eu sou forte.Pela primeira vez, o amontoador de pedras olhou para cima. — Como você ousa falar com tanta irreverência? Meu pai não irá me perdoar facilmente. Eu pequei. Cometi um grande pecado!Ele nos disse para evitarmos o rio, e nós desobedecemos. Sou um grande pecador. Preciso trabalhar muito. — Não, meu irmão, você não precisa de muito trabalho. Você precisa de muita graça. Você não possui força nem pedras suficientes para construir a estrada. Foi por isso que nosso pai me enviou. Ele quer que eu o leve para casa. — Está dizendo que não consigo? Está querendo dizer que não sou suficientemente forte? Veja meu trabalho. Veja minhas rochas. Eu já posso dar cinco passos! — Porém ainda faltam cinco milhões à frente!O irmão mais novo fitou o primogênito com raiva. — Eu sei quem é você. Você é a voz do mal. Está tentando seduzir-me e afastar-me de meu santo trabalho. Para trás de mim,serpente! — E ele jogou no primogênito a pedra que ia pôr no rio. — Herético! - gritou o construtor de estrada. - Deixe esta terra. Você não pode me fazer parar! Construirei esta passagem, e apresentar-me-ei ante meu pai. Então ele terá de perdoar-me. Eu conquistarei o seu favor. Serei merecedor da sua compaixão.O primogênito balançou a cabeça. — Favor conquistado não é favor. Compaixão merecida não é compaixão. Eu lhe imploro, deixe-me transportá-lo rio acima.A resposta foi outra pedrada. Então o primogênito virou-se e saiu. O irmão mais jovem estava esperando junto ao fogo, quando o primogênito retornou. — Os outros não vêm? — Não. Um preferiu indultar-se; o outro, julgar; e o terceiro,trabalhar. Nenhum deles escolheu nosso pai. — Então eles permanecerão aqui?O primogênito balançou a cabeça devagar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário