“... a iniquidade concernente às coisas santas...”
Êxodo 28: 38.
Que véu é levantado por estas palavras, e que declaração é
feita! Será humilhante e proveitoso para nós fazermos uma pausa e observar esta
triste visão. As iniquidades da nossa adoração pública, hipocrisia,
formalidade, indiferença, irreverencia, o coração vagando e o esquecimento de
Deus, que medida completa temos aí! Nosso trabalho para o Senhor, concorrência,
egoísmo, descuido, negligencia, incredulidade, que massa de profanação está aí!
Nossas devoções individuais, prostração, frieza, negligência sonolência e
vaidade, que montanha de terra árida! Se olharmos com mais cuidado devemos
descobrir que essa iniquidade é muito maior do que aparenta à primeira vista. O
Dr. Payson [N.E.: Pregador norte-americano do século 18], escrevendo o seu irmão,
diz: “Minha paróquia, assim como meu coração, muito se assemelha ao jardim do
preguiçoso; e o que é pior, acho que muitos dos meus desejos de melhorar ambos
vêm, do orgulho, da vaidade, ou da indolência. Eu olho para as ervas daninhas
que se espalham pelo meu jardim e expiro um desejo sincero de que sejam
erradicadas.
Mas por quê? O que move esse desejo? Talvez eu queira poder
sair e dizer a mim mesmo: ‘Como meu jardim está bem cuidado!’
Isso é orgulho. Ou, talvez sejam meus vizinhos que possam
olhar pelo muro e dizer: “Como o seu jardim floresce!’ Isso é vaidade.
Ou eu talvez queira a destruição das ervas daninhas porque
estou cansado de tirá-las. Isso é indolência”. Então, até mesmo nossos desejos
por santidade podem ser poluídos por motivos vis. Os vermes se escondem sob os
gramados mais verdes, não precisamos procurar muito para descobri-los. Como é
animadora a ideia de que, quando o Sumo Sacerdote suportou a iniquidade das
coisas santas, ele usou em Sua testa as palavras: “Santidade ao Senhor”, e
mesmo enquanto Jesus carrega o nosso pecado, Ele apresenta diante de Seu Pai, não
a nossa profanação, mas Sua própria santidade. Ó, que graça é ver nosso grande
Sumo Sacerdote pelos olhos da fé!
C.H. Spurgeon
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